“Rock” in Rio

Eu esperei bastante para escrever sobre o Rock in Rio, na verdade pensava em postar algo somente após o fim do festival. Mas a verdade que todas as impressões já foram dadas, pelo publico e pela imprensa, com o primeiro final de semana e a noite de ontem, com as “melhorias” em relação aos três primeiros dias.

A maior crítica que eu vejo pipocar nas redes é o “Pop in Rio”, a escolha de vários artistas que não são “rock”. Até parece que isso é novo, né? Não, DESDE O ROCK IN RIO 1, em 1985, a premissa do festival é “o encontro dos super nomes da música POPULAR brasileira com os principais grupos da música internacional”.

Vamos de video para atestar? Aproveita e confere os artistas que se apresentaram em 1985:

E em todas as edições foi assim. Desde sempre, o Rock in Rio é “Rock-e-algo-mais in Rio”.

Mas o fato vai além de “mimimi Claudia Leitte não tem nada a ver com Rock”. Afinal de contas, o que caracteriza uma música como “Rock”?

Olha essa citação do Wikipédia:


O som do rock muitas vezes gira em torno da guitarra elétrica ou do violão e utiliza um forte backbeat (contratempo) estabelecido pelo ritmo do baixo elétrico, da bateria, do teclado, e outros instrumentos como órgão, piano, ou, desde a década de 1970, sintetizadores digitais. (…) Em sua “forma pura”, o rock “tem três acordes, um forte e insistente contratempo e uma melodia cativante”.

Hm… Com base nessa descrição, então isso aqui indiscutivelmente é rock:

Não sei se vai ser fácil entender meu raciocínio e o que eu quero dizer, mas o pessoal que reclama de o Rock in Rio não ter só Rock, é muito parecido com o que reclama que o Anime Friends não é só Anime. Não conseguem enxergar um palmo a frente do próprio nariz, e não compreendem que tudo é uma coisa só. Uma pessoa consegue ser fã de dois estilos ao mesmo tempo (Metal e Maracatu, por exemplo). Aliás, essa combinação me lembrou de um outro problema que vivemos nesta edição do Festival.

Em 1985, mesmo com Elba, Alceu Valença, Moraes Moreira, Ivan Lins e tantos outros, as apresentações memoráveis ficaram por conta de AC/DC, Iron Maiden e o ÉPICO show do Queen. Estas bandas estavam no auge, e sua presença no festival era mais que essencial. E olha que ainda teria Def Leppard. No Rock in Rio II, em 1991, foi a vez do Guns ‘n Roses, fenômeno do Rock na época, deixar sua marca na historia do Festival. No terceiro, em 2001, já começou-se a notar uma carência de Rock, e já não teve um show épico como nas duas primeiras edições. Sim, teve shows ótimos, como de Red Hot Chili Peppers e Foo Fighters, as bandas do topo na época.

Para esta edição, a pergunta que não quer calar é: Quais são os maiores nomes do rock na atualidade? O show do Metallica foi sensacional, mas por conta dos hits do passado da banda. Slipknot é o que mais chegou perto de “sucesso da atualidade”. Junte isso, os ótimos shows de Katy Perry e Stevie Wonder, e a PÉSSIMA apresentação do Angra (que sequer foi no palco Mundo) para chegarmos a uma conclusão. Os melhores shows do Festival até o momento não terem sido de artistas “rock” não é culpa do Rock in Rio. A culpa é do Rock, que já não se faz como antigamente.

Roberto Medina é um gênio, pois teve essa ideia antes de todo mundo. E certamente, se o Festival tivesse SOMENTE roqueiros, não alcançaria nem metade do publico que está alcançando hoje.

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