Quem vai chorar? Quem vai sorrir?

Desde a morte do Michael Jackson em 2009, eu venho reparando como a cena se repete: Morreu alguma celebridade e logo as redes sociais transbordam de gente lamentando, gente lamentando por quem tá lamentando, e em boa parte das vezes gente que aproveita pra escrachar e dizer tudo o que pensa sobre o recém-falecido.

Eu, músico e produtor de shows tenho uma visão um pouco diferente da dos fãs, justamente por estar “deste lado da barricada”. A gente não tem muita chance, e pra falar a verdade nem é saudável ser tiete. a minha admiração a muitos dos artistas do qual me considero “fã” (uma abreviação de “fanático”, diga de passagem) resume-se e limita-se a música deles. Às vezes, eu sequer decoro o nome dos integrantes, muito diferente da grande maioria, que acompanha a vida pessoal, adota o estilo, e outros ainda que até faz sandices pelo artista (quem não se lembra dos “beliebers” que rasparam a cabeça por acharem que o o Justin Bieber tinha câncer?). Respeito isso e até gosto, pois sempre que a gente aqui anuncia uma nova atração, é justamente a reação dessas pessoas que nos anima a fazer mais e melhor.

Mas por que eu tô dizendo tudo isso? Esta madrugada o vocalista Chorão, do Charlie Brown Jr. foi encontrado morto no seu apartamento em SP.

Como já de costume, a Internet está inundada de instant fans, parafraseando músicas famosas, dizendo o quanto choraram e o quanto ele era importante. E junto com esses, vários outros ofendendo, dizendo que era um babaca, que a música dele era um lixo (!!!) e até dizendo que não fará nenhuma falta. Poxa vida, sério mesmo que a gente tá nessa?

Eu não caio muito no conto de quem fala que é eclético, mas diz que odeia um ou outro estilo musical. O CBJr fez parte da adolescência da muita gente no fim dos anos 90. Foram 15 anos de carreira, mais de 5 milhões de discos vendidos, dois Grammys Latinos de melhor álbum de rock do Brasil. Talvez ele fosse mesmo um babaca, mas isso não deveria ser relevante. Pra mim não é.

Apesar de no passado já ter tirado musicas do CBJr enquanto estudava guitarra, só lendo hoje soube que ele tinha sido processado por agredir o Marcelo Camelo há quase 10 anos. Aquela música que eu tentei tirar não deixou de ser boa por conta disso. Amante do skate, ele foi um dos grandes divulgadores do esporte, viabilizou grandes eventos no Brasil e inclusive montou uma pista, inaugurada em 2006. Aquela música que eu tentei tirar não ficou melhor, eu não passei a ouvir mais por conta disso. E olha que droga, eu nem sei o nome da música.

Babaca ou não, Chorão e o CBJr são sim uma página muito importante do rock, da música brasileira. Fará falta sim, talvez não pra mim, talvez nem pra você que tá lendo. Mas pra sua legião de fãs, para aqueles meninos que aprenderam a andar de Skate no Chorão Skate Park, para os santistas, os moradores da cidade e os torcedores do time, que tinham nele um grande representante, e creio que também para a música jovem brasileira, é uma perda irreparável. Ele talvez não tenha merecido sua admiração, mas assim como eu, você, e principalmente os fãs, admiradores e familiares, merece seu respeito, afinal ele chegou aonde talvez você mesmo gostaria de chegar.

A causa da morte não foi divulgada até o momento que eu escrevi este (longo) texto, mas também não me interessa. Assim como não me interessava o que ele fez ou deixava de fazer longe do palco ou do estúdio. Como o que eu gosto dele é a música, ou algumas delas, cada vez que eu tocar ou ouvir, é como se ele não tivesse morto. Raul Seixas, outro cara de quem sou fã, e inspirou o título desse post, disse uma vez que enquanto a música dele tocar em algum lugar, ele será imortal. Então é por aí.

Pra acabar, cito algo interessante que o Carlos Cardoso colocou no seu twitter:

“Gente que para se autoafirmar desdenha de uma banda que gostou na adolescência na verdade nunca saiu dela.”

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